quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A mídia e a desinvenção da infância


As crianças de hoje não são felizes. Não conhecem o valor de uma brincadeira de rua, de um faz-de-conta, de um domingo no parque. Há vinte anos, quando eu vivia minha infância, as coisas ainda eram diferentes, ainda existia uma certa magia. Naquela época a publicidade dirigida às crianças, não tinha um caráter tão exploratório, tão devastador nas mentes infantis. Estudos mostram que, até por volta dos 8 ou 10 anos, as crianças ainda não conseguem distinguir anúncio publicitário de conteúdo de entretenimento. Elas são seduzidas diariamente pela publicidade veiculada na televisão, nas rádios, na internet, nas publicações impressas. Mesmo quando aprendem o que é publicidade, não entendem seus mecanismos de persuasão. Se um anúncio diz que é importante tal produto, que elas precisam dele para serem mais felizes, saudáveis ou para serem aceitas no grupo de amigos, elas acreditam e, diante da impossibilidade de possuírem determinado produto, podem até sofrer ou revoltar-se. Por isso é importante ficarmos atentos, e cuidarmos para que nossas crianças não fiquem tão expostas, tão suscetíveis ao bombardeio de publicidade. Precisamos ajudá-las a resgatar valores esquecidos pela sociedade de consumo, como as velhas brincadeiras do tempo dos nossos pais e um pouco também do nosso tempo (pra quem nasceu nos anos 80). Não podemos permitir que as crianças se tornem escravas do consumo, que acreditem que é mais importante ter do que ser. É preciso reinventar a infância.